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Quando bebemos álcool ou utilizamos drogas estimulantes, o nosso subconsciente está aprendendo a consumir mais. Mas não para por aí. Nós nos tornamos mais receptivos para a formação de memórias subconscientes e hábitos com relação à comida, música e até mesmo as pessoas e situações sociais.

Segundo Morikawa, alcoólatras não estão viciados na experiência de prazer ou alívio que conseguem ao beber álcool. Eles estão viciados nos fatores ambientais, comportamentais e fisiológicos que são reforçados quando o álcool provoca a liberação de dopamina no cérebro.

“As pessoas geralmente pensam na dopamina como um transmissor de prazer, mas de forma mais precisa ela é um transmissor de aprendizagem”, diz. “Isso fortalece as sinapses que estão ativas quando a dopamina é liberada”, completa.

O álcool, neste modelo, é o facilitador. Ele sequestra o sistema dopaminérgico, e isso diz ao nosso cérebro que o que estamos fazendo neste momento é gratificante e, portanto, vale a pena repetir.

Morikawa explica que aprendemos que ir ao bar conversar com os amigos, comer certos alimentos e ouvir alguns tipos de música são gratificantes. Quanto mais vezes fazemos essas coisas enquanto bebemos e quanto mais a dopamina é liberada, mais “potencializadas” as sinapses se tornam e mais associamos as experiências daquele momento ao ato de beber.

A esperança do pesquisador é que, compreendendo melhor as bases neurobiológicas da dependência, ele possa desenvolver medicamentos anti-vício que iriam enfraquecer as sinapses chave, ao invés de fortalecê-las. Se puder fazer isso, ele seria capaz de apagar a memória da dependência do subconsciente.

“Isso é meio assustador porque teria o potencial de ser uma substância de controle da mente. Nosso objetivo, porém, é reverter os aspectos controladores da mente causados pelas drogas que viciam”, conclui Morikawa.

 

Fonte: The Journal of Neuroscience

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