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Escutar histórias é o início da aprendizagem para se tornar um leitor. A criança que ouve histórias desde cedo desenvolve o prazer pela leitura e encontra um caminho mágico de descobertas e compreensão do mundo.

Contar histórias é suscitar a imaginação, a criatividade, é responder à curiosidade, é encontrar ideias para solucionar questões.

Narrativas de histórias tradicionais (como João e Maria, A pequena vendedora de fósforos, Pinóquio, Branca de Neve...) representam percursos do desenvolvimento humano. Os personagens enfrentam dificuldades, superam situações, buscam respostas. Enquanto ouve, a criança acompanha a trajetória do personagem, aprende mais sobre si mesma e compreende melhor o mundo. É uma possibilidade de entender os conflitos, os impasses e encontrar as soluções para aquilo que vivem através da identificação com os personagens da história.

É ouvindo histórias, também, que se pode sentir e entender as emoções, como a raiva, o medo, a alegria, a tristeza, a impotência, e aprender a conviver com elas e reagir da melhor maneira.

Muitas vezes as crianças pedem que os pais contem a mesma história várias vezes, que repitam todos os dias. Embora isso pareça incompreensível, o pedido revela a necessidade de compreender melhor as emoções passadas pela história. Através da repetição os sentimentos vão sendo experimentados, compreendidos e elaborados através do final feliz.

Histórias também são a possibilidade de conhecer outros lugares, outros tempos, outras culturas e aprender que existem outros jeitos de pensar, ser e agir, diferentes dos nossos.

As fábulas também são adoradas pelas crianças. São histórias antigas, com animais, que sempre trazem uma lição de moral. Nesses casos, é importante que os adultos não apontem a moral da história nem ensinem as lições. Além de ficar chato, é desnecessário, pois a criança percebe, por si só, a mensagem transmitida.

No entanto, comentar, conversar e tirar dúvidas é sempre proveitoso. Geralmente a criança faz comentários interessantes que demonstram o que achou e sentiu com a história.

Se a criança não lê é porque não lhe estão apontando caminhos para que desfrute de bons e belos textos. Esse papel é dos adultos, que talvez ainda não tenham percebido o quanto a história aquieta, serena, prende a atenção, informa, socializa, educa, fortalece os vínculos afetivos entre pais e filhos, professor e alunos, agrada a todos, de modo geral, sem distinção de idade, classe social e circunstância de vida.

Neste Dia das Crianças, que tal não dar apenas brinquedos, mas também livros, e brincar de contar histórias com o seu filho? Uma sugestão divertida, criativa e com certeza, muito agradável!

 

Erika Vendramini Moreira é graduada em Psicologia e Licenciatura Plena em Psicologia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC). Formada em Terapia Cognitiva pelo Instituto Pieron de Psicologia Aplicada. Conta com 12 anos de experiência na prática clínica com crianças, adolescentes e adultos, além de orientação de pais e professores. CRP 59448

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