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Demência em idosos pode ser prevenida com maior atividadePesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) traçaram um perfil da prevalência e incidência de demência entre idosos de uma região pobre de São Paulo. Os resultados mostram que a baixa escolaridade e renda estão entre os principais fatores de risco que podem levar a doença. Ao mesmo tempo, verificou-se que a realização de atividades cognitivas simples, como trabalhos manuais, pode diminuir o risco de demência nos idosos.


Entre as tarefas cognitivas simples estão as costuras, como o tricô e o crochê

Os estudos fazem parte de um programa de investigação sobre saúde do idoso, com ênfase na saúde mental, o São Paulo Ageing & Health Study (SPAH), coordenado pelos professores Marcia Scazufca e Paulo Rossi Menezes, da FMUSP, e envolveram idosos com 65 anos ou mais, na região Oeste da cidade de São Paulo. Por meio de questionários padronizados para estudar população com pouca escolaridade e baixa renda, 2.072 idosos passaram por avaliação cognitiva, do estado mental e de diversos fatores de risco para demência, como características sócio-demográficas e saúde.

Na primeira fase do estudo foram identificados 105 casos de demência, o que equivale a uma prevalência de demência de 5,1%. “É uma prevalência alta, semelhante à registrada na Europa”, destaca a pesquisadora Marcia Scazufca. “A maior parte dos idosos entrevistados tinha menos de 75 anos, enquanto nos países europeus eles se situam em faixas etárias mais elevadas (75 anos ou mais), sendo que a idade é o principal fator de risco conhecido para a demência”. A partir das informações levantadas, foi investigada a associação entre indicadores de desvantagem socioeconômica ao longo da vida e prevalência de demência.

“Na literatura científica, vários estudos apontam uma relação entre menor escolaridade e maior risco de demência”, diz Marcia. Entre os idosos pesquisados, 38% não tem escolaridade (analfabetos), 52% tem um a três anos de estudo e 9% possuem quatro anos ou mais. Dois terços nasceram em zonas rurais, o que dificultou o acesso à escola. Metade teve ocupações braçais ao longo da vida. Esses fatores levaram cerca de um terço da população estudada a ter renda mensal de menos de um salário mínimo. “Entre os idosos que tiveram mais desvantagens sócioeconômicas ao longo da vida, o riso de demência foi cerca de sete vezes maior do que os idosos que não expostos a estes fatores de risco”.

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